segunda-feira, 27 de junho de 2016

Como a Lyanna Nasceu


Foi com 36 semanas de gestação que a médica me informou que eu precisaria ser internada até o dia do meu parto. Bem assim, na lata. Como eu havia tido pressão alta gestacional e estava perdendo líquido, ela achou melhor que eu ficasse em observação até o dia (minha DPP era 10 de fevereiro, e ainda era dia 22/01). E eu realmente não queria ficar trancada em uma enfermaria de hospital até fevereiro, mas que opção eu tinha?

Meu final de semana foi uma loucura. Eu não tinha nada pronto. Tive que correr para arrumar as minhas malas, as malas do bebê e comprar as últimas coisas. Já estava para ficar louca de tanta ansiedade e, nem tinha ido ainda, mas já estava morrendo de saudade de toda a minha família e do meu namorado. Nunca passei muito tempo longe deles. E por mais que fossem "poucos" dias, aquela fragilidade chata da gravidez deixava tudo 10 mil vezes pior.
No dia 26 eu acordei bem cedinho. Tinha que estar no hospital as 9am. Foi uma longa manhã com a bunda colada na parede (eu não era uma emergência, então podia esperar). Só pude subir para o quarto perto da hora do almoço. E eu juro que aquele foi um dos dias mais chatos que eu tive na vida. Era janeiro e estava MUITO calor e é óbvio que não tinha ar-condicionado no quarto - só tinha um ventilador de teto e eu estava bem longe dele. E eu nem quero me lembrar da comida nojenta e sucos sem açúcar.  Mas eu passei por aquilo como uma campeã.

No dia seguinte, dia 27, acordei as 6am com as enfermeiras entrando para trazer o meu remédio de pressão e o café da manhã. Fiz um exame rápido só pra checar os batimentos da minha menina e, quando já estava voltando, o médico me interceptou no meio do corredor e avisou que não era pra eu comer mais nada e nem beber. Meu parto seria naquele mesmo dia. Como eu estava perdendo líquido há alguns dias e o bebê estava começando a ter centralização, ela precisava ser tirada com urgência, Achei que meu coração ia sair do meu peito. Voltei ao quarto, peguei meu telefone e mandei uma mensagem para o namorado:

''Então, a sua filha nasce hoje.''



Eu precisava de, no mínimo, oito horas de jejum para induzir ou fazer uma cesárea. Ainda eram 10h da manhã e eu teria um longo dia pela frente, sem nem poder comer para aguentar o nervosismo. O maqueiro me levou para a sala de pré-parto e eu sentei ali, no meio daquele monte de mulher grávida, esperando a minha vez de parir. Tinha gente aguardando ali desde as 6 da manhã, em jejum. Toda hora passava um bebezinho na nossa frente e eu só conseguia pensar em como seria o rosto da minha, como era o chorinho dela e rezar para que tudo desse certo.


Um médico só apareceu para me checar de novo depois das OITO DA NOITE. Eu já estava fraca de fome e sede, e com o bebê chutando cada vez mais forte. Ele fez o toque e algumas perguntas, antes de confirmar que eu teria que fazer uma cesárea e me levar para a sala de cirurgia (eu ainda tive a ''sorte'' de ir na frente da moça que estava esperando desde as seis da manhã, yay). Pedi para chamarem o pai do bebê e entrei na sala para ser preparada.

E eu juro, nunca mais eu quero passar por isso. A sala era gelada demais e eu não tinha roupas. Me sentei na mesa e a anestesista veio com a raqui, a maldita anestesia que é aplicada bem na espinha - a enfermeira teve que me segurar, porque eu não parava de pular quando a agulha se aproximava das minhas costas. Depois que deitei e me cobri, lembro da parte de baixo do meu corpo se aquecer e depois não senti mais nada. E eu entrei em desespero. Estava com as duas mãos presas em toda aquela parafernalha de cirurgia e não conseguia sentir as pernas; tive vontade de chorar e vomitar.

Havia um tecido me impedindo de ver o que estava acontecendo, mas eu ainda podia sentir um pouco dos médicos mexendo e empurrando. Era bem leve e indolor, mas super esquisito. Eu não tenho ideia de quanto tempo passou, mas eu lembro do sono fora do comum que me acometeu repentinamente. Tudo que eu queria era fechar meus olhos. Como eu xinguei a anestesista argentina que não parava de tagarelar do meu lado; desde o meu namorado (que estava assistindo por uma janela na direção dos meus pés) até o clima naquele dia - tudo para me manter acordada. Lembro de sentir uma grande pressão para baixo, várias seguidas, enquanto o médico quase subia na minha barriga para obrigar o bebê a descer. Parecia que o mundo estava em câmera lenta naquele momento, mas enfim ela veio. E eu ouvi o chorinho. A médica trouxe ela para perto (e como ela era linda) e eu só pude dizer Oi. Ela estava lá, com 2,705kg e 47cm. Pequenina e saudável.

Depois que a levaram para limpar e examinar, eu me vi com o pior frio que já senti na vida. Sem exagero. Eu não conseguia parar de tremer e bater o queixo, e, de quebra, ainda estava bem nervosa com a falta de sensibilidade nas pernas. Tudo que eu queria naquele momento era a minha filha, um edredom bem quente e poder me mexer um pouco.

Precisei passar 6hrs na sala de recuperação, que era escura e bem fria. Eu não podia me mexer e nem levantar a cabeça, mas precisava me virar para cuidar da pequena Lyanna. Aquele mesmo bebê que estava se revelando o bebê mais chorão daquela noite. Mas eu dei meu jeito.

Ficamos no hospital por alguns dias e tivemos Lyanna conosco quase o tempo todo em que ficamos na enfermaria.  Ela era uma menininha geniosa, mas fomos nos entendendo com o passar dos dias. Difícil mesmo foi a recuperação da cesárea. Um monte de gente fala sobre como a cesariana é maravilhosa, que ninguém merece passar pela dor no normal e blá blá blá, mas ninguém lembra de falar da dor insuportável que vem depois. Se você for passar por uma, use toda a ajuda que puder. Mas, no fim, tudo vale a pena. O que importa é aquela pessoa fofa que ganhei.

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